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Até os gatos opinam…

“No PSD, que é um partido que se caracteriza por não ter ideologia nenhuma, (…) o António Capunho não concorda com o Luís Filipe Menezes; o Luís Filipe Menezes não concorda com o Rui Rio; o Rui Rio não concorda com o Pacheco Pereira, e o Pacheco Pereira não concorda com ninguém.”

Ricardo Araújo Pereira in Visão

The speed is back

“Clinton backer resigns over “black” Obama remark”

“Geraldine Ferraro resigns from the Clinton campaign after declaring Barack Obama successful only because he is black”.

in The Times

Azul à PSD

Será que isto significa uma aproximação ao CDS? Pobre Portas…

O diálogo em democracia

O meu caro colega de blogue veio no seu último post abordar o tema do diálogo em democracia.
Dificilmente se encontra um tema tão importante e tão polémico para se discutir numa sociedade democrática.

O meu caro colega vem em certa medida acusar este governo de falta de diálogo, mas a pergunta que se impõe é esta: até onde vai a obrigação de um governo, eleito por maioria absoluta, ter de ouvir os gritos que vêm da rua? A questão é mais pertinente do que parece.

Desde o inicio da minha caminhada académica pelo curso de Direito que nas cadeiras com um pendor politico me disseram que os governos não se avaliam na rua nem nos meios de comunicação social mas sim nas urnas no final de cada mandato. O perigo de proceder de maneira contrária é bastante óbvio, será que por eu gritar muito alto tenho razão naquilo que digo? Sinceramente não me parece.
Quando alguém é eleito para cumprir determinadas funções durante um certo periodo de tempo deve sempre ter em conta a confiança depositada por si pela maioria que o elegeu e na minha opinião, agir em função das modas é trair essa confiança. O perigo reside no facto de que nem sempre que protesta tem razão.

Vejamos a recente manifestação dos professores. Será que por 100 mil do 150 mil professores que exercem a sua profissão no nosso país se terem manifestado eles têm razão? De certo que não.
Não quero agora entrar em pormenores sobre esta minha posição pois já o fiz anteriormente mas para mim este constitui um exemplo cabal daquilo que pretendo afirmar.

É certo que num regime democrático todas as opiniões contam e devem ser ouvidas mas daí a dar razão a quem protesta vai um passo muito largo.
E acusar um governo de surdez ou insensibilidade politica por proceder desta maneira é para mim bastante injusto.
Achei particularmente piada ao comentário de Ricardo Costa na SIC após a manifestação dos professores quendo afrmou que após aquela demonstração de insatisfação o governo tinha a obrigação de ter em conta estes protestos e negociar ou tentar demonstrar que os professores estavam errados.
Digo sinceramente que se eu fosse o primeiro-ministro naquela altura, e por muito ditatorial que isto possa parecer, não daria a minima importância a uma manifestação de pessoas que além de não saberem porque protestavam não tinham um pingo de razão. E fazia isto com a tranquilidade que uma eleição por maioria absoluta dá a alguém que é avaliado pela totalidade da população eleitoral nas urnas no final do mandato e não nas ruas.

Um governo deve ter as suas próprias orientações e a sua própria agenda de acordo com o programa eleitoral que apresentou a eleições e que os eleitores aprovaram. Não deve andar a reboque das vozes da rua que raramente têm razão só para fazer boa figura na comunicação social ou para agradar a Gregos e a Troianos.
Felizemente este governo tem sabido actuar neste sentido e aí reside a minha aprovação em relação ao mesmo.
Bem ou mal não tem problemas em decidir e agir pois no momento que o nosso país atravessa não pode haver lugar a indecisões. Caramba, até o incompetente do Santana concorda.

Isto não significa que um governo não deve ter em conta a opinião pública e as vozes de quem tem uma opinião diferente, apenas que em caso de dúvida mais vale agir do que estar parado.

Mas, afinal, o homem é corajoso ou cobarde?

O Governo Sócrates faz 3 anos. São três anos de reformas, algumas bem aceites, outras totalmente rejeitadas pelas populações e pelas classes em causa. Não precisamos de fazer um grande esforço de memória para nos lembrarmos das populações avessas ao fecho das maternidades e urgências, de recordar a irritação dos juízes pela nova legislação sobre as férias judiciais e, claro, a irrepreensível amargura dos professores expressa nesta última manifestação.

Inicialmente, Sócrates passou a ideia de um homem firme e decidido, com as melhores intenções para o país e que seria com ele que as coisas iriam mudar. Aceitamo-lo e fomos tolerando alguma arrogância e prepotência por acharmos, essencialmente, que tinha de ser esse o caminho – muito distante do diletante Santana.

O nosso primeiro fez do uso e da manipulação da imprensa uma arma, um poderoso meio que conseguiu usar em seu proveito. Mas apenas o conseguiu durante algum tempo. Cedo se descobriram algumas inconsistências – vá, e estou a ser simpático – no seu percurso académico, algumas falcatruas na sua vida profissional e algumas inverdades na sua carreira política. Isto é, a água que o Zé bebia não era tão cristalina quanto queria fazer crer.

Daí para a frente, o Sócrates corajoso, firme de espírito e decidido começou a assumir uma postura persecutória contra aqueles que traziam a público algumas das proezas que ele preferiria ter sido mantidas ocultas, e foi por essa altura que começaram as reformas em força, as reformas mais polémicas e indesejadas pela população.

Assim, o Governo deixou de ter qualquer programa de comunicação e, simplesmente, passou a legislar. A questão dos professores é o resultado mais flagrante de uma ausência de uma política de comunicação pois tivesse o Ministério tido a preocupação em falar com os docentes, com os pais, com as freguesias e, vá, os sindicatos nada disto teria acontecido.

Como se pode compreender, um professor quer ter uma palavra a dizer na reforma que vai condicionar a sua actividade daqui para a frente. Legislar sem ter em conta os mais directamente visados é errado e, pior do que isso, antidemocrático. A democracia pressupõe o diálogo e a conversa como as suas fundações, a sua base e essência. Sem elas, vivemos em tirania, subjugados por regimes despóticos e prepotentes.

Em matéria de poder político, é fácil parecer-se corajoso quando, na verdade, se está a ser cobarde. E Sócrates é, exactamente, isso: cobarde, pois quando colocado sobre escrutínio, quando se colocou em causa o rumo do seu Executivo ele afrouxou, tornou-se medroso, temeroso e poltrão. Deixou de ser o bem para o país a dirigir a sua política reformista, para a mesma passar a ser um mero exercício de poder.

Como um rufia no pátio da escola, o governo da maioria vai legislando para mostrar aos outros que ainda mexe, imiscuindo-se na vidinha dos simplórios, daqueles que apenas querem fazer o seu trabalho e ir para casa.

E isto não é coragem, como muitos ainda querem fazer pensar. Isto, legislar sem diálogo, reformar sem consideração pelos visados, é cobardia política.

“Obama wins in Mississippi, CNN projects”

“A purga começou”

“Menezes que atacou publicamente Cavaco, Marcelo, Durão Barroso, e Marques Mendes, em literalmente centenas de entrevistas, artigos, declarações, num blogue escrito em seu nome por um assessor da CM Gaia, em comentários televisivos na SICN, em directos feitos da sua casa enquanto decorriam Congressos do PSD em que não estava, e nalguns livros, quer intimidar e varrer do partido os seus críticos internos.”

Pacheco Pereira in Abrupto

Eu acredito

O maior lá da aldeia

Recordar é viver