Change we can believe in?

28 01 2010

Há pouco mais de um ano os Estados Unidos viviam uma época de mudança. De crença em si e na possibilidade de ser um país melhor, mais justo e com melhores oportunidades para aqueles que escolhem viver na América.

E tudo por causa de um homem: Barack Obama. Desde os anos de Kennedy na Casa Branca que os americanos não se sentiam tão motivados com o discurso e o plano do homem que se senta na cadeira principal na Sala Oval.

O recém-eleito Presidente tinha muitos desejos e objectivos. Na política externa, Obama pretendia fechar Guantánamo, restaurar vias de comunicação com o Irão, terminar a guerra no Iraque e reforçar a presença no Afeganistão.

Mais, Barack Obama queria acabar com o unilateralismo internacional seguido pela Administração Bush. Para isso, quis promover o diálogo e a cooperação internacional, reforçando a participação americana em cimeiras internacionais, algumas das quais contempladas com a sua própria participação – como a infeliz cimeira do clima em Copenhaga.

Obama até venceu o Prémio Nobel da Paz, feito inédito para um Presidente em exercício. Claro que o prémio foi atribuído mais por aquilo que se espera que ele consiga alcançar do que propriamente por aquilo que Obama alcançou nos primeiros meses em Washington. E os problemas começam aqui.

É que Barack Obama ganhou debaixo do slogan da mudança. A forma de se fazer política nos Estados Unidos ia mudar. A metodologia seguida para a aprovação de leis ia mudar. Os agentes envolvidos nas decisões iam mudar. Tudo ia mudar e nada seria igual ao que era até 20 de Janeiro de 2009. O problema é que muito pouca coisa mudou a nível interno.

Os Estados Unidos continuam a destruir postos de trabalho – ainda que a um ritmo mais lento do que no início da crise financeira que parece agora estar a dar tréguas. A maior economia do Mundo, que pode deixar de o ser caso a China volte a crescer ao ritmo a que vinha crescendo até ao eclodir da crise, passa por enormes dificuldades em estimular o crescimento da riqueza interna e em criar novos postos de trabalho.

A juntar a estes problemas do sector privado, a dívida pública também disparou e a China é já o maior credor dos Estados Unidos – estando a comprar em quantidades maciças títulos de dívida americana. A produção de riqueza no país ameaça deixar de ser suficiente para cobrir o défice e neste ano não se conheceram novas iniciativas da Administração Obama para resolver este problema.

Depois, há um problema de saúde, não do Governo mas do projecto de Reforma do Sistema de Saúde norte-americano. Em linhas gerais, Obama quer europeizar o serviço de saúde no país, tornando-o de acesso (quase) gratuito para todos, incluindo os mais pobres e os imigrantes. Esta lei esbarra contra o conceito de medicina privada que vigora nos Estados Unidos e que é defendido com unhas e dentes pelo lobby das seguradoras, com grande peso no Congresso e no Senado devido à influência junto dos representantes do Partido Republicano. Obama quis mudar muita coisa em muito pouco tempo, acusam os republicanos.

Os americanos da América mais rural e profunda exaltaram-se contra as políticas «socialistas» do novo Presidente e a contestação a Obama nesses meios não pára de crescer. O eleitorado das costas leste e oeste não vê melhoras ao nível do emprego e também não está satisfeito. As eleições de há quinze dias no Massachusetts, para ver quem iria ocupar o lugar do falecido Senador Ted Kennedy, mostraram que o descontentamento já atingiu os Democratas mais fieis – o lugar pertencia ao Partido Democrata há mais de cinquenta anos, desde JFK.

Um ano depois de Obama ter pedido aos americanos para ousarem ser melhores do que aquilo que tinham sido até aquele dia, a motivação e a fé no homem que prometeu a mudança estão amplamente comprometidas. Se no estrangeiro a popularidade de Obama não vacila, nos Estados Unidos a ideia que começa a passar é que Barack Obama não terá sido mais do que um vendedor de ilusões que não está à altura das promessas feitas na campanha eleitoral.

Ontem, no discurso do Estado da União, Barack Obama falou de um “défice de confiança” dos legisladores e dos americanos em geral. Obama apelou à união do Congresso e à superação das divergências políticas rumo a um objectivo nacional. Avisou que não é por ter perdido a super-maioria no Senado que vai deixar cair o projecto para a reforma na Saúde e já fez saber que o Estado vai fomentar a criação de mais empregos e baixar os impostos das classes média e baixa – 95% dos americanos.

A pergunta que fica é se os americanos ainda acreditam no Presidente e se as palavras de Obama mantêm o efeito mobilizador de há uns meses atrás. Só um Super-Homem teria sido capaz de resolver todos os problemas que afectam os Estados Unidos num ano. O problema é que Barack Obama fez os eleitores acreditar que ele seria o seu Super-Homem.





See You Soon Coco

27 01 2010

Conan O’Brien despediu-se na passada sexta-feira do seu Tonight Show. Como já deve ter reparado nós aqui na casa somos fãs incondicionais daquele que, para nós, é neste momento a figura maior do humorismo americano.

Aqui ficam alguns dos melhores momentos do último Tonight Show with Conan O’Brien. Até um dia destes Coco…





Se a moda pega…

18 01 2010

Hugo Chavez ordena expropriação de cadeia de supermercados por mudar preços

in Público





Coco na liderança

16 01 2010

Para quem não presta muita atenção ao late night da televisão norte-americana, este post é capaz de não interessar. Mas, para aqueles que seguem com atenção as tramas que envolvem a NBC e a decisão da estação em recolocar o programa do humorista Jay Leno às 23h, atrasando o «Tonight Show», de Conan O’brien, que substituiu Leno em Junho, para as 24h, vão gostar de saber que ontem o apresentador com cabelo cor de cenoura voltou a bater Leno nas audiências.

Desde o arranque do seu novo programa, «The Jay Leno Show», que Leno batia Conan nas audiências. Porém, desde que foi anunciada a decisão da NBC em atrasar Leno para o horário do Tonight Show provocou uma onde de contestação junto dos fãs de Conan, que aprenderam a apreciar as piadas do comediante de Boston que durante anos entreteve americanos de todas as idades no seu primeiro talk-show, o Late Night With Conan O’Brien.

Resultado? As audiências do Tonight Show dispararam e estão bem acima da média do tempo de Leno e do início da era Conan. O actual apresentador do mais popular formato televisivo do fim de noite americano já disse que não aceita atrasar a hora de arranque do seu programa. Numa carta aberta a todos os terráqueos, O’Brien refere que não faz sentido alterar a hora de emissão de um programa que ocupa o mesmo lugar na grelha do canal desde os anos 70. E diz também que jamais aceitaria começar o Tonight Show depois da meia-noite.

Agora, a decisão é da administração da NBC: ou mantêm o tipo de quem eles gostam, ou seguram o favorito do público.

Para dar o seu apoio à causa de Conan O’Brien, basta juntar-se ao Team Conan.





The New World Order

11 04 2008

Na edição deste mês do Courier Internacional deparei-me com um excerto dum artigo do New York Times a propósito dum livro recentemente lançado nos EUA por um tal de Parag Khanna intitulado “THE SECOND WORLD: EMPIRES & INFLUENCE IN THE NEW GLOBAL ORDER”. Ao que parece o livro está a causar muita polémica pois o seu autor afirma nele que a hegemonia dos EUA chegou ao fim e que a partir daqui é sempre a descer.

No livro o autor apresenta uma visão tripartida da politica mundial na qual a disputa pela hegemonia seria entre a União Europeia, a China e os EUA e que as duas primeiras potências estão já numa situação favorável que conduzirá à inevitável queda dos EUA do lugar central que ocupam desde a queda da URSS nos destinos do planeta. Na opinião de Parag Khanna, o mundo irá “dividir-se” entre um bloco de interesses asiáticos e europeus sendo que na América do Sul e em África assistir-se-á a uma repartição dos países por estes dois blocos.

Para o autor, tanto a UE como a China tem neste momento “trunfos” de grande valor que ajudarão a decidir para que lado irá pender a balança. Refere que o trunfo principal da UE é sem dúvida a Turquia e a porta que a partir dela se abre em relação aos petro-estados da Ásia meridional como o Azerbeijão e que os estados árabes do norte de África são neste momento já parte do bloco de influências europeu. Já em relação à China o autor vaticina que esta terá maior influência junto dos estados africanos abaixo do Sahara e também na América do Sul. Parag acredita então que a grande “batalha” entre a UE e a China travar-se-á sem dúvida na Ásia meridional e que o vencedor desta poderá assumir um papel de maior importância em relação ao outro.

Posição interessante é aquela que o autor tem em relação ao papel da Rússia nesta luta. Khanna acredita que apesar de todo o barulho que Putin tem feito nos últimos tempos e da aparente recuperação da Rússia em termos económicos, o país está condenado pois a sua população tem decrescido a um ritmo alarmante e como consequência disso a economia russa nunca será maior do que a actual economia francesa. Como é óbvio, esse declinio reflectir-se-á na projecção do país em termos geopoliticos. O autor afirma que devido à aproximação da UE em relação às suas fronteiras, à presença da China a oriente e à falta de argumentos para impôr a sua influência a outros países, a Rússia só tem duas alternativas: ou se integra na UE ou se torna num “petro-vassalo” da China.

Quanto ao futuro dos EUA no meio disto tudo, Parag afirma que foram as más polticas externas americanas desde a queda da URSS as culpadas por esta perda de influência e que à América só resta virar-se para dentro de modo a tentar manter forte o seu poderio económico e assim ter argumentos para competir com a UE e a China.





Tudo para o Tibete!

7 04 2008

Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, recebeu uma petição com 11 mil assinaturas a pedir a condenação por parte do Governo de Portugal da violência no Tibete.

O objectivo é nobre mas será infrutífero. Portugal não tem – já o disse – política externa de dimensão que lhe permita fazer frente à China, estejam a morrer e a serem perseguidos os tibetanos que estiverem. Portugal irá, sempre, optar pela saída mais airosa, silenciosa e descomprometida – é só pensar no Kosovo…

Ler mais aqui.





Hipocrisia

17 03 2008

“Segundo estudos independentes, só entre 2001 e 2003, Bush, Powell, Rumsfeld, Cheney, Condoleezza Rice e mais membros da administração americana proferiram um total de 935 declarações falsas [sobre a guerra no Iraque]. Neste quadro de terror e mentira impunes, não deixa de ser chocante que, nos Estados Unidos, um governador seja forçado a demitir-se por ter mentido… sobre a sua vida sexual.”

Manuel António Pina in Jornal de Notícias





Por um punhado de dólares

14 03 2008

227368.jpgFoi esta a mulher que custou perto de € 5000 ao ex-governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, por duas horas de companhia.

 

 

 

 

Eliot Spitzer estava na rota da implosão. Depois de uma boa carreira enquanto Procurador-geral do estado de Nova Iorque, o democrata não conseguia convencer os nova-iorquinos de que ainda era o homem certo para ocupar o cargo de Governador.

Tendo ganho a eleições de 2006, rapidamente a imagem de Eliot Spitzer foi sendo desgastada por alguns pequenos escândalos, como a criação ficheiros policiais sobre adversários políticos, assim como uma controvérsia em torno da atribuição de cartas de condução a imigrantes ilegais.

Apesar de democrata, e à partida mais próximo de um ideal político mais liberal, o facto é que Spitzer fazia da família e da defesa da moral e dos bons costumes um dos seus pontos fortes, mostrando ser um conservador social o que não lhe trouxe muitos apoios após a eleição do eleitorado democrata de Nova Iorque.

E, por se ter definido como homem de carácter, como marido exemplar, Spitzer pagou o preço mais alto quando se soube do seu envolvimento num esquema de prostituição de luxo.

E não foi só com a jovem cantora Alexandra Dupré que Spitzer manteve relações sexuais. Estima-se quem em seis meses tenha gasto 15 000 dólares com prostitutas. Mais, se tivermos em linha de conta os anos em que serviu os cidadãos enquanto Procurador-geral, a conta sobe até aos 80 mil dólares gastos com prostitutas de luxo.

Por que foi tudo isto notícia? Por que custou ao homem a cadeira de Governador? Exactamente porque, em política, não podemos dizer uma coisa e fazer outra. O velho ‘faz o que digo, não o que faço’ não resulta. Aqueles que querem liderar devem dar o exemplo. Se Spitzer apelava à moral da família e aos brandos costumes, então não se poderia ter envolvido em redes de prostituição. A verdade vem sempre ao de cima.

Agora, até se levanta outra questão sobre o futuro do ex-governador, pois apesar de o Estado de Nova Iorque não condenar o crime de prostituição, condena o aliciar à prostituição interestadual. Ora, como a jovem foi ter com Spitzer a Washington D.C., teve de deixar Nova Iorque, o que levanta a possibilidade de um processo judicial sobre ele. 

Eliot Spitzer, o homem que tudo teve mas que tudo perdeu porque se esqueceu que a mentira tem a perna curta, e então quando envolve sexo… Bem, ele que pergunte ao Bill o que lhe custou um blowjob em plena sala oval.

foto: MySpace








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