Dois homens mudaram um país

28 01 2010

Estreia hoje em Portugal o mais recente filme de Clint Eastwood, «Invictus», que conta a história da caminhada tribulada da África do Sul rumo à vitória no Campeonato do Mundo de râguebi de 1995. Tribulada tanto dentro como fora do campo, a conquista do ceptro mundial uniu todos os sul-africanos em torno de um único objectivo, contribuindo para a pacificação de um país estrilhaçado pela guerra e definido pelo apartheid.

Bastava o filme ser assinado por Clint Eastwood para merecer a atenção dos cinéfilos. No entanto, o facto de juntar Morgan Freeman e Matt Damon nos principais papeis torna o produto final ainda mais aliciante.





Change we can believe in?

28 01 2010

Há pouco mais de um ano os Estados Unidos viviam uma época de mudança. De crença em si e na possibilidade de ser um país melhor, mais justo e com melhores oportunidades para aqueles que escolhem viver na América.

E tudo por causa de um homem: Barack Obama. Desde os anos de Kennedy na Casa Branca que os americanos não se sentiam tão motivados com o discurso e o plano do homem que se senta na cadeira principal na Sala Oval.

O recém-eleito Presidente tinha muitos desejos e objectivos. Na política externa, Obama pretendia fechar Guantánamo, restaurar vias de comunicação com o Irão, terminar a guerra no Iraque e reforçar a presença no Afeganistão.

Mais, Barack Obama queria acabar com o unilateralismo internacional seguido pela Administração Bush. Para isso, quis promover o diálogo e a cooperação internacional, reforçando a participação americana em cimeiras internacionais, algumas das quais contempladas com a sua própria participação – como a infeliz cimeira do clima em Copenhaga.

Obama até venceu o Prémio Nobel da Paz, feito inédito para um Presidente em exercício. Claro que o prémio foi atribuído mais por aquilo que se espera que ele consiga alcançar do que propriamente por aquilo que Obama alcançou nos primeiros meses em Washington. E os problemas começam aqui.

É que Barack Obama ganhou debaixo do slogan da mudança. A forma de se fazer política nos Estados Unidos ia mudar. A metodologia seguida para a aprovação de leis ia mudar. Os agentes envolvidos nas decisões iam mudar. Tudo ia mudar e nada seria igual ao que era até 20 de Janeiro de 2009. O problema é que muito pouca coisa mudou a nível interno.

Os Estados Unidos continuam a destruir postos de trabalho – ainda que a um ritmo mais lento do que no início da crise financeira que parece agora estar a dar tréguas. A maior economia do Mundo, que pode deixar de o ser caso a China volte a crescer ao ritmo a que vinha crescendo até ao eclodir da crise, passa por enormes dificuldades em estimular o crescimento da riqueza interna e em criar novos postos de trabalho.

A juntar a estes problemas do sector privado, a dívida pública também disparou e a China é já o maior credor dos Estados Unidos – estando a comprar em quantidades maciças títulos de dívida americana. A produção de riqueza no país ameaça deixar de ser suficiente para cobrir o défice e neste ano não se conheceram novas iniciativas da Administração Obama para resolver este problema.

Depois, há um problema de saúde, não do Governo mas do projecto de Reforma do Sistema de Saúde norte-americano. Em linhas gerais, Obama quer europeizar o serviço de saúde no país, tornando-o de acesso (quase) gratuito para todos, incluindo os mais pobres e os imigrantes. Esta lei esbarra contra o conceito de medicina privada que vigora nos Estados Unidos e que é defendido com unhas e dentes pelo lobby das seguradoras, com grande peso no Congresso e no Senado devido à influência junto dos representantes do Partido Republicano. Obama quis mudar muita coisa em muito pouco tempo, acusam os republicanos.

Os americanos da América mais rural e profunda exaltaram-se contra as políticas «socialistas» do novo Presidente e a contestação a Obama nesses meios não pára de crescer. O eleitorado das costas leste e oeste não vê melhoras ao nível do emprego e também não está satisfeito. As eleições de há quinze dias no Massachusetts, para ver quem iria ocupar o lugar do falecido Senador Ted Kennedy, mostraram que o descontentamento já atingiu os Democratas mais fieis – o lugar pertencia ao Partido Democrata há mais de cinquenta anos, desde JFK.

Um ano depois de Obama ter pedido aos americanos para ousarem ser melhores do que aquilo que tinham sido até aquele dia, a motivação e a fé no homem que prometeu a mudança estão amplamente comprometidas. Se no estrangeiro a popularidade de Obama não vacila, nos Estados Unidos a ideia que começa a passar é que Barack Obama não terá sido mais do que um vendedor de ilusões que não está à altura das promessas feitas na campanha eleitoral.

Ontem, no discurso do Estado da União, Barack Obama falou de um “défice de confiança” dos legisladores e dos americanos em geral. Obama apelou à união do Congresso e à superação das divergências políticas rumo a um objectivo nacional. Avisou que não é por ter perdido a super-maioria no Senado que vai deixar cair o projecto para a reforma na Saúde e já fez saber que o Estado vai fomentar a criação de mais empregos e baixar os impostos das classes média e baixa – 95% dos americanos.

A pergunta que fica é se os americanos ainda acreditam no Presidente e se as palavras de Obama mantêm o efeito mobilizador de há uns meses atrás. Só um Super-Homem teria sido capaz de resolver todos os problemas que afectam os Estados Unidos num ano. O problema é que Barack Obama fez os eleitores acreditar que ele seria o seu Super-Homem.





Do Orçamento do Estado 2010 – pt. 2

28 01 2010

Abel Mateus analisa a proposta de Orçamento do Estado para 2010.








Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.