The New World Order

Na edição deste mês do Courier Internacional deparei-me com um excerto dum artigo do New York Times a propósito dum livro recentemente lançado nos EUA por um tal de Parag Khanna intitulado “THE SECOND WORLD: EMPIRES & INFLUENCE IN THE NEW GLOBAL ORDER”. Ao que parece o livro está a causar muita polémica pois o seu autor afirma nele que a hegemonia dos EUA chegou ao fim e que a partir daqui é sempre a descer.

No livro o autor apresenta uma visão tripartida da politica mundial na qual a disputa pela hegemonia seria entre a União Europeia, a China e os EUA e que as duas primeiras potências estão já numa situação favorável que conduzirá à inevitável queda dos EUA do lugar central que ocupam desde a queda da URSS nos destinos do planeta. Na opinião de Parag Khanna, o mundo irá “dividir-se” entre um bloco de interesses asiáticos e europeus sendo que na América do Sul e em África assistir-se-á a uma repartição dos países por estes dois blocos.

Para o autor, tanto a UE como a China tem neste momento “trunfos” de grande valor que ajudarão a decidir para que lado irá pender a balança. Refere que o trunfo principal da UE é sem dúvida a Turquia e a porta que a partir dela se abre em relação aos petro-estados da Ásia meridional como o Azerbeijão e que os estados árabes do norte de África são neste momento já parte do bloco de influências europeu. Já em relação à China o autor vaticina que esta terá maior influência junto dos estados africanos abaixo do Sahara e também na América do Sul. Parag acredita então que a grande “batalha” entre a UE e a China travar-se-á sem dúvida na Ásia meridional e que o vencedor desta poderá assumir um papel de maior importância em relação ao outro.

Posição interessante é aquela que o autor tem em relação ao papel da Rússia nesta luta. Khanna acredita que apesar de todo o barulho que Putin tem feito nos últimos tempos e da aparente recuperação da Rússia em termos económicos, o país está condenado pois a sua população tem decrescido a um ritmo alarmante e como consequência disso a economia russa nunca será maior do que a actual economia francesa. Como é óbvio, esse declinio reflectir-se-á na projecção do país em termos geopoliticos. O autor afirma que devido à aproximação da UE em relação às suas fronteiras, à presença da China a oriente e à falta de argumentos para impôr a sua influência a outros países, a Rússia só tem duas alternativas: ou se integra na UE ou se torna num “petro-vassalo” da China.

Quanto ao futuro dos EUA no meio disto tudo, Parag afirma que foram as más polticas externas americanas desde a queda da URSS as culpadas por esta perda de influência e que à América só resta virar-se para dentro de modo a tentar manter forte o seu poderio económico e assim ter argumentos para competir com a UE e a China.

~ por Josué Lopes em Abril 11, 2008.

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