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E eles não se calam…

Sou um acérrimo defensor dos debates parlamentares. Mais, considero que a presença do Primeiro-Ministro nos mesmos é um fantástico indicador de democracia e de privilégio à discussão política e ao esclarecimento do país.

Por várias vezes já que manifestei a minha preocupação pelo Estado estar a ignorar um aspecto essencial da sociedade do século XXI: a comunicação. Muitas das dificuldades e polémicas em torno de decisões ministeriais poderiam ser resolvidas através de políticas e estratégias de comunicação mais eficazes, como um sistema de informação periódico às pessoas daquilo que vinha sendo feito no país. É preciso que estejamos todos a par das medidas de quem nos governa.

Porém, enquanto tal ‘avanço’ não é dado na relação entre Estado e populações, vou-me contentando com os debates parlamentares, os únicos que contam (quase) sempre com todos os deputados do hemiciclo.

Mas, volta e meia, há uma coisa que me causa grande transtorno e conspurca o prazer que retiro destes momentos políticos: a intervenção do grupo parlamentar do partido do Governo.

Atenção, não é só ao PS. Mesmo no tempo do Durão, Santana e Portas os grupos à direita tinham um discurso em tudo semelhante ao do actual grupo liderado por Alberto Martins.

As suas intervenções servem, apenas, para endereçar críticas à oposição – que não pode responder – enaltecer o trabalho do Executivo e fazer perguntas (combinadas?) de fácil resposta, às quais normalmente o primeiro-ministro começa por responder com um rasgado elogio à “perspicácia” do grupo em questão.

Hoje, por exemplo, o líder parlamentar do PS passou metade do seu tempo a distribuir filetes à esquerda e à direita, dando toda a ideia de que estava a dar as respostas por Sócrates, que ficara sem tempo para responder quer a Santana, quer a Portas. Depois, elogio o governo e lá fez a perguntinha da praxe. Enfim, um tédio.

Não se trata de propor a discriminação do grupo parlamentar do partido no poder, mas se não têm nada a dizer, que se calem e deixem que a oposição faça o seu trabalho e que coloque ao Governo as perguntas necessárias e que promova a reflexão aconselhada a deputados, ministros e país.

~ por phillipevieira em Março 19, 2008.

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