Português brasileiro
Está aí o novo acordo da língua portuguesa. Perdemos quase todos os “c’s” mudos e mudam algumas regras de acentuação. A ideia base de todo este processo foi tornar a língua portuguesa, uma das línguas mais faladas no Mundo, mais brasileira. Quer isto dizer que, essencialmente, pretendeu-se abrasileirar a língua, satisfazendo os interesses de Vera Cruz.
O Brasil é uma das nações emergentes no plano internacional. O seu potencial é ilimitado e não existem dúvidas de que será, se já não o for, a mais forte nação de língua oficial portuguesa no plano internacional. A ideia de aproximar a ‘nossa’ língua à ‘deles’ tem por base aproximar-nos do Brasil e aproveitar-mos algumas das sobras que caiam do prato canarinho.
Acontece que este é, a meu ver, uma forma errónea de proceder. Não é pelo facto do Brasil ser grande e forte que devemos sujeitar a nossa língua às regras deles. Os brasileiros já têm uma grafia diferente e diferentes regras semânticas. Para eles, esta revisão é apenas uma forma de oficializar a coisa, ou seja, torná-los na vanguarda da língua portuguesa.
A nossa aceitação em nos submetermos às palavras sem ‘c’ e ao fim do acento circunflexo é errada. Para além de ser um atentado cultura de todo o tamanho – que tem de mais profundo uma Nação que não a sua língua? – é uma rejeição da história.
Sim, a língua tem evoluído e hoje não falamos nem escrevemos da mesma maneira que há 100 anos. Porém, essa evolução foi natural e não obedeceu a interesses ou pressões mercantilistas. A que agora se propõe (?) está assente sobre pressupostos e motivos enganadores e que não deverão ser imiscuídos com a cultura.
O Inglês falado nos EUA é diferente daquele que se fala na Grã-Bretanha quer de um plano gráfico, quer de um plano gramatical. Porém, não é por isso que as duas nações não se entendem e que não crescem. O Brasil é um estado autónomo e o uso que quiser dar à língua é de sua inteira responsabilidade. Que escrevam “ato” em vez de “acto”. Mas, não são os ‘pais’ da língua. Não são os donos absolutos da língua portuguesa e aceitar esta revisão irá fazer isso mesmo, atribuir ao Brasil o domínio e o destino da língua de todos nós.
O português é de Portugal. Como tal, deveria ser o nosso Estado a tomar a iniciativa nesta matéria e apresentar uma revisão da língua aos países de expressão oficial portuguesa. Quem quisesse ratificar, ratificava, quem não quisesse tinha toda a liberdade para seguir o caminho brasileiro da língua, ou outro qualquer porque também acho que não se deve restringir o poder de determinar a evolução de uma dada a um estado. A língua evolui conforme as necessidades do povo e a nossa língua não evoluiu no mesmo sentido que se registou no Brasil.
E, em vez de estarem preocupados com isto, andam os legisladores a dizer-nos onde podemos pôr, ou não, os piercings. Qualquer dia, não haverá é língua para os mandar colocar.

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