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PS VS. PS

Depois do PSD…

Na edição online do Público: Várias figuras do PS assinaram um documento emitido pela Associação 25 de Abril, que apela à participação no desfile do 25 de Abril e faz uma análise crítica à situação do país.
O «Apelo à Participação», divulgado ontem pela Associação 25 de Abril, conta com a assinatura de diversas figuras do PS, entre os quais Mário Soares, Manuel Alegre, Ferro Rodrigues, Almeida Santos ou Maria de Belém Roseira.”

Aparentemente,as incertezas de uma conjuntura económica, afectada pela eclosão e desenvolvimento de várias ordens de crises e, no plano interno, pela permanência dos problemas estruturais de que o país continua a padecer, fazem com que as comemorações do 25 de Abril de 2008 se processem num clima pouco desanuviado e escassamente propício à jubilação colectiva”.
 

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The New World Order

Na edição deste mês do Courier Internacional deparei-me com um excerto dum artigo do New York Times a propósito dum livro recentemente lançado nos EUA por um tal de Parag Khanna intitulado “THE SECOND WORLD: EMPIRES & INFLUENCE IN THE NEW GLOBAL ORDER”. Ao que parece o livro está a causar muita polémica pois o seu autor afirma nele que a hegemonia dos EUA chegou ao fim e que a partir daqui é sempre a descer.

No livro o autor apresenta uma visão tripartida da politica mundial na qual a disputa pela hegemonia seria entre a União Europeia, a China e os EUA e que as duas primeiras potências estão já numa situação favorável que conduzirá à inevitável queda dos EUA do lugar central que ocupam desde a queda da URSS nos destinos do planeta. Na opinião de Parag Khanna, o mundo irá “dividir-se” entre um bloco de interesses asiáticos e europeus sendo que na América do Sul e em África assistir-se-á a uma repartição dos países por estes dois blocos.

Para o autor, tanto a UE como a China tem neste momento “trunfos” de grande valor que ajudarão a decidir para que lado irá pender a balança. Refere que o trunfo principal da UE é sem dúvida a Turquia e a porta que a partir dela se abre em relação aos petro-estados da Ásia meridional como o Azerbeijão e que os estados árabes do norte de África são neste momento já parte do bloco de influências europeu. Já em relação à China o autor vaticina que esta terá maior influência junto dos estados africanos abaixo do Sahara e também na América do Sul. Parag acredita então que a grande “batalha” entre a UE e a China travar-se-á sem dúvida na Ásia meridional e que o vencedor desta poderá assumir um papel de maior importância em relação ao outro.

Posição interessante é aquela que o autor tem em relação ao papel da Rússia nesta luta. Khanna acredita que apesar de todo o barulho que Putin tem feito nos últimos tempos e da aparente recuperação da Rússia em termos económicos, o país está condenado pois a sua população tem decrescido a um ritmo alarmante e como consequência disso a economia russa nunca será maior do que a actual economia francesa. Como é óbvio, esse declinio reflectir-se-á na projecção do país em termos geopoliticos. O autor afirma que devido à aproximação da UE em relação às suas fronteiras, à presença da China a oriente e à falta de argumentos para impôr a sua influência a outros países, a Rússia só tem duas alternativas: ou se integra na UE ou se torna num “petro-vassalo” da China.

Quanto ao futuro dos EUA no meio disto tudo, Parag afirma que foram as más polticas externas americanas desde a queda da URSS as culpadas por esta perda de influência e que à América só resta virar-se para dentro de modo a tentar manter forte o seu poderio económico e assim ter argumentos para competir com a UE e a China.

Tudo para o Tibete!

Jaime Gama, presidente da Assembleia da República, recebeu uma petição com 11 mil assinaturas a pedir a condenação por parte do Governo de Portugal da violência no Tibete.

O objectivo é nobre mas será infrutífero. Portugal não tem - já o disse - política externa de dimensão que lhe permita fazer frente à China, estejam a morrer e a serem perseguidos os tibetanos que estiverem. Portugal irá, sempre, optar pela saída mais airosa, silenciosa e descomprometida - é só pensar no Kosovo…

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What the f*ck?

O “milagre” azul

“Todos deviam ter ido há dez anos a Fátima agradecer a invenção do Viagra”.

Júlio Machado Vaz, em declarações à Lusa

Brincar com coisas sérias

Percebo que o Record queira vender jornais. Agora, fazê-lo à custa disto parece uma bocado puxado.

E eles não se calam…

Sou um acérrimo defensor dos debates parlamentares. Mais, considero que a presença do Primeiro-Ministro nos mesmos é um fantástico indicador de democracia e de privilégio à discussão política e ao esclarecimento do país.

Por várias vezes já que manifestei a minha preocupação pelo Estado estar a ignorar um aspecto essencial da sociedade do século XXI: a comunicação. Muitas das dificuldades e polémicas em torno de decisões ministeriais poderiam ser resolvidas através de políticas e estratégias de comunicação mais eficazes, como um sistema de informação periódico às pessoas daquilo que vinha sendo feito no país. É preciso que estejamos todos a par das medidas de quem nos governa.

Porém, enquanto tal ‘avanço’ não é dado na relação entre Estado e populações, vou-me contentando com os debates parlamentares, os únicos que contam (quase) sempre com todos os deputados do hemiciclo.

Mas, volta e meia, há uma coisa que me causa grande transtorno e conspurca o prazer que retiro destes momentos políticos: a intervenção do grupo parlamentar do partido do Governo.

Atenção, não é só ao PS. Mesmo no tempo do Durão, Santana e Portas os grupos à direita tinham um discurso em tudo semelhante ao do actual grupo liderado por Alberto Martins.

As suas intervenções servem, apenas, para endereçar críticas à oposição – que não pode responder – enaltecer o trabalho do Executivo e fazer perguntas (combinadas?) de fácil resposta, às quais normalmente o primeiro-ministro começa por responder com um rasgado elogio à “perspicácia” do grupo em questão.

Hoje, por exemplo, o líder parlamentar do PS passou metade do seu tempo a distribuir filetes à esquerda e à direita, dando toda a ideia de que estava a dar as respostas por Sócrates, que ficara sem tempo para responder quer a Santana, quer a Portas. Depois, elogio o governo e lá fez a perguntinha da praxe. Enfim, um tédio.

Não se trata de propor a discriminação do grupo parlamentar do partido no poder, mas se não têm nada a dizer, que se calem e deixem que a oposição faça o seu trabalho e que coloque ao Governo as perguntas necessárias e que promova a reflexão aconselhada a deputados, ministros e país.

Português brasileiro

Está aí o novo acordo da língua portuguesa. Perdemos quase todos os “c’s” mudos e mudam algumas regras de acentuação. A ideia base de todo este processo foi tornar a língua portuguesa, uma das línguas mais faladas no Mundo, mais brasileira. Quer isto dizer que, essencialmente, pretendeu-se abrasileirar a língua, satisfazendo os interesses de Vera Cruz.

O Brasil é uma das nações emergentes no plano internacional. O seu potencial é ilimitado e não existem dúvidas de que será, se já não o for, a mais forte nação de língua oficial portuguesa no plano internacional. A ideia de aproximar a ‘nossa’ língua à ‘deles’ tem por base aproximar-nos do Brasil e aproveitar-mos algumas das sobras que caiam do prato canarinho.

Acontece que este é, a meu ver, uma forma errónea de proceder. Não é pelo facto do Brasil ser grande e forte que devemos sujeitar a nossa língua às regras deles. Os brasileiros já têm uma grafia diferente e diferentes regras semânticas. Para eles, esta revisão é apenas uma forma de oficializar a coisa, ou seja, torná-los na vanguarda da língua portuguesa.

A nossa aceitação em nos submetermos às palavras sem ‘c’ e ao fim do acento circunflexo é errada. Para além de ser um atentado cultura de todo o tamanho – que tem de mais profundo uma Nação que não a sua língua? – é uma rejeição da história.

Sim, a língua tem evoluído e hoje não falamos nem escrevemos da mesma maneira que há 100 anos. Porém, essa evolução foi natural e não obedeceu a interesses ou pressões mercantilistas. A que agora se propõe (?) está assente sobre pressupostos e motivos enganadores e que não deverão ser imiscuídos com a cultura.

O Inglês falado nos EUA é diferente daquele que se fala na Grã-Bretanha quer de um plano gráfico, quer de um plano gramatical. Porém, não é por isso que as duas nações não se entendem e que não crescem. O Brasil é um estado autónomo e o uso que quiser dar à língua é de sua inteira responsabilidade. Que escrevam “ato” em vez de “acto”. Mas, não são os ‘pais’ da língua. Não são os donos absolutos da língua portuguesa e aceitar esta revisão irá fazer isso mesmo, atribuir ao Brasil o domínio e o destino da língua de todos nós.

O português é de Portugal. Como tal, deveria ser o nosso Estado a tomar a iniciativa nesta matéria e apresentar uma revisão da língua aos países de expressão oficial portuguesa. Quem quisesse ratificar, ratificava, quem não quisesse tinha toda a liberdade para seguir o caminho brasileiro da língua, ou outro qualquer porque também acho que não se deve restringir o poder de determinar a evolução de uma dada a um estado. A língua evolui conforme as necessidades do povo e a nossa língua não evoluiu no mesmo sentido que se registou no Brasil.

E, em vez de estarem preocupados com isto, andam os legisladores a dizer-nos onde podemos pôr, ou não, os piercings. Qualquer dia, não haverá é língua para os mandar colocar.

Hipocrisia

“Segundo estudos independentes, só entre 2001 e 2003, Bush, Powell, Rumsfeld, Cheney, Condoleezza Rice e mais membros da administração americana proferiram um total de 935 declarações falsas [sobre a guerra no Iraque]. Neste quadro de terror e mentira impunes, não deixa de ser chocante que, nos Estados Unidos, um governador seja forçado a demitir-se por ter mentido… sobre a sua vida sexual.”

Manuel António Pina in Jornal de Notícias

Por um punhado de dólares

227368.jpgFoi esta a mulher que custou perto de € 5000 ao ex-governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, por duas horas de companhia.

 

 

 

 

Eliot Spitzer estava na rota da implosão. Depois de uma boa carreira enquanto Procurador-geral do estado de Nova Iorque, o democrata não conseguia convencer os nova-iorquinos de que ainda era o homem certo para ocupar o cargo de Governador.

Tendo ganho a eleições de 2006, rapidamente a imagem de Eliot Spitzer foi sendo desgastada por alguns pequenos escândalos, como a criação ficheiros policiais sobre adversários políticos, assim como uma controvérsia em torno da atribuição de cartas de condução a imigrantes ilegais.

Apesar de democrata, e à partida mais próximo de um ideal político mais liberal, o facto é que Spitzer fazia da família e da defesa da moral e dos bons costumes um dos seus pontos fortes, mostrando ser um conservador social o que não lhe trouxe muitos apoios após a eleição do eleitorado democrata de Nova Iorque.

E, por se ter definido como homem de carácter, como marido exemplar, Spitzer pagou o preço mais alto quando se soube do seu envolvimento num esquema de prostituição de luxo.

E não foi só com a jovem cantora Alexandra Dupré que Spitzer manteve relações sexuais. Estima-se quem em seis meses tenha gasto 15 000 dólares com prostitutas. Mais, se tivermos em linha de conta os anos em que serviu os cidadãos enquanto Procurador-geral, a conta sobe até aos 80 mil dólares gastos com prostitutas de luxo.

Por que foi tudo isto notícia? Por que custou ao homem a cadeira de Governador? Exactamente porque, em política, não podemos dizer uma coisa e fazer outra. O velho ‘faz o que digo, não o que faço’ não resulta. Aqueles que querem liderar devem dar o exemplo. Se Spitzer apelava à moral da família e aos brandos costumes, então não se poderia ter envolvido em redes de prostituição. A verdade vem sempre ao de cima.

Agora, até se levanta outra questão sobre o futuro do ex-governador, pois apesar de o Estado de Nova Iorque não condenar o crime de prostituição, condena o aliciar à prostituição interestadual. Ora, como a jovem foi ter com Spitzer a Washington D.C., teve de deixar Nova Iorque, o que levanta a possibilidade de um processo judicial sobre ele. 

Eliot Spitzer, o homem que tudo teve mas que tudo perdeu porque se esqueceu que a mentira tem a perna curta, e então quando envolve sexo… Bem, ele que pergunte ao Bill o que lhe custou um blowjob em plena sala oval.

foto: MySpace